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domingo, 16 de março de 2014

[Resenha] Príncipe da Noite, Sete Mulheres e Meia (Germano Pereira)


Título: Príncipe da Noite, Sete Mulheres e Meia
Autor: Germano Pereira
Qtde. de Páginas: 368
Editora: Novo Conceito
Toda manhã, o psicanalista Gabriel se surpreende ao acordar: sempre encontra uma mulher diferente dormindo ao seu lado. Ele nunca se lembra do seu nome, nem da maneira como a conheceu. A única coisa que resta de suas aventuras noturnas é um lapso de memória. Mas esta noite tudo se repetirá: quando cruzar com uma bela mulher, na noite seguinte, perderá o controle de quem é, porque o seu outro “eu” é capaz de tudo para satisfazer seus desejos mais primitivos. Mantendo esse segredo somente para si, Gabriel leva uma vida aparentemente normal na grande Londres, ouvindo diariamente os problemas de seus pacientes, enquanto tenta fugir das loucuras de sua ex-namorada. Mas nada é verdadeiramente normal para um homem que pode ser controlado pelo Príncipe da Noite...

Primeiramente, bom dia/tarde/noite. Sim, estou a trazer mais uma resenha para vocês! Yaaaay! Bom, antes de iniciar a resenha, vou falar um pouco sobre como consegui esse livro. A Miriam Pires, representante do Clube do Livro de Goiânia, conseguiu uma parceria do CLG com a Editora Novo Conceito para os blogueiros literários da nossa cidade. Então a Editora passa o livro pra ela e ela nos repassa, dando um prazo para leitura e resenha. Então... Desde já digo que, se alguém se interessar pelo livro, pode pegar comigo – emprestado – no Clube do Livro (então deixe um comentário com a solicitação, que no encontro desse mês já levo). Sem mais delongas, vamos à resenha.

O Príncipe da Noite é uma história diferente de todas as que eu já li. É um thriller psicológico narrado em primeira pessoa. Gabriel, o narrador personagem, é um psicanalista que sofre de transtorno de dupla personalidade (eis a ironia) e este outro lado de Gabriel é o Príncipe da Noite, aquele que se entrega à Vontade (o conceito se encontra ainda no início do livro).

Como narra a sinopse, Gabriel acorda ao lado de mulheres estranhas. Às vezes ele lembra algumas coisas, às vezes nada. E isso é um grande problema pra Gabriel, porque o Príncipe estraga todas as chances que o Gabriel tem de algum dia ter um relacionamento sólido com alguém. E se isso não bastasse, Gabriel tem que lidar com as crises e mágoas das mulheres que são abandonadas e rejeitadas pelo Príncipe – porque, sim, o governante da Vontade usa as mulheres e a parte ruim fica para o psicanalista.

Mas a dupla personalidade de Gabriel não é seu único problema. No passado, enquanto ele ainda morava no Brasil (sim, ele é um brasileiro, mas mora em Londres há muitos anos) houve alguns acontecimentos marcantes que mudaram a história do jovem moço e foi o que o levou a ir morar em Londres. E esse passado começa a voltar à tona. (Não posso falar mais porque: spoiler)

Daí então começa vários mistérios. Por exemplo, começam a aparecer alguns pares de sapatos femininos na casa de Gabriel. Às vezes ele vê os sapatos e na hora seguinte eles desapareceram. (Abro esse parêntese pra dizer que não falarei sobre o subtítulo do livro, porque pode ser spoiler)

Um fato interessante é que no início do livro, Gabriel nunca se lembra do que o Príncipe faz. Mas ao decorrer do livro, o Príncipe permite que Gabe (apelido que eu dei, não tem no livro) presencie alguns acontecimentos, mas sem ter controle das ações. Também é notório que no início apenas Gabe narra o livro, mas depois vai alternando; ora Gabriel narra o livro, ora o Príncipe narra (confesso que gosto mais dessas partes). E é então que o leitor tem que se mostrar bem atento, porque às vezes os pensamentos deles são misturados e não há coisa alguma que identifique quem é que está no controle (falo na parte física do texto, não há alteração de font ou outra coisa).

Sobre os personagens, acredito que foram bem construídos. Todos têm sua própria forma de pensar e, assim como o Gabriel e o Príncipe, têm uns pensamentos muito filosóficos. Ah, sim, esse foi um dos pontos mais positivos que encontrei no livro: pensamentos. Alguns personagens conseguem transmitir lindos e insanos pensamentos através das palavras. Óh, sim, Chloé (minha personagem favorita) que o diga.

Enfim... Germano Pereira está de parabéns por ter escrito essa obra tão incrível. Confesso que no início não gostei muito porque eu estava esperando uma dupla personalidade a.k.a Jessica de Heroes, mas depois me entreguei à história e comecei a gostar de cada página lida. O final do livro não tem conclusão, apesar de ter um “FIM” escrito na última página, acredito que seja um “fim desse volume” porque o livro exige uma continuação.

Escolhi esse livro por causa do título e da capa, então Novo Conceito está de parabéns pela ilustração chamativa – ilustração essa que tem a ver com a história apresentada no livro. As páginas são amareladas (como todos nós leitores amamos), a font é boa pra leitura e há uma arte no início dos capítulos.

Para concluir, digo que recomendo o livro. A leitura flui com facilidade, os personagens são incríveis, o mistério faz com que o leitor deseje ler para descobrir logo o que vai acontecer, os pensamentos filosóficos geram reflexão e, claro, o Príncipe da Noite consegue fazer com que você queira descobrir quais serão seus próximos feitos. Mais uma vez, digo que Germano Pereira está de parabéns, por ter feito uma obra tão fascinante.

Para relembrar, quem quiser o livro é só deixar um comentário nesse post dizendo ter interesse que no Clube do Livro desse mês já levo (só vale para os moradores de Goiânia). Agradeço à Miriam e à Editora Novo Conceito por terem me proporcionado essa leitura.

Sem mais delongas, eis a avaliação: Príncipe da Noite, de Germano Pereira, De 0 a 5, leva 4 bowties (não foi 5 porque eu pensei que fosse um livro único e, se de fato for, não teve conclusão). 

E você? Leu? Pretende ler? Gostou? Deixe seu comentário contando sua experiência ou expectativas ao ler o livro! Abraços. :D

PS: Não coloquei quotes porque tem muitas interessantes e os textos que eu mais gostei - feitos por Chloé - são grandes demais. Mas, se você possuir o livro, o início do texto se encontra na página 220 e vai até a página 223, depois tem uma longa pausa e recomeça na página 302 e vai até a 303.

sexta-feira, 14 de março de 2014

[Resenha] O Hobbit - J. R. R. Tolkien

Título: The Hobbit, or There and Back Again.
Autor: John Ronald Ruel Tolkien.
Número de páginas: 296.
Editora: WMF Martins Fontes.
Onde comprar: Fnac || Americanas

"Inesperadamente, Bilbo Bolseiro, um hobbit de vida confortável e tranquila no Condado recebe a visita de 13 anões e Gandalf que o arrastam em uma jornada através das montanhas e das terras ermas enfrentando trolls, orcs, wargs, elfos para o resgate de um tesouro muito bem guardado por Smaug, o dragão. Bilbo se vê em diversas confusões e encontra algo que mudaria não só sua vida como de toda Terra-Média."


Eu já queria ler O Hobbit há anos, principalmente por querer ler Senhor dos Anéis há anos. Com o lançamento de The Hobbit - Desolation of Smaug próximo (creio que quando essa resenha sair o filme já estará em exibição nos cinemas) e tendo assistido o trailer nos cinemas (aquele trecho em que Bilbo está face a face com Smaug é simplesmente incrível), meu ânimo para o livro aumentou e acabei lendo-o.

O Hobbit conta a história de Bilbo Bolseiro, um pequeno hobbit (afinal, o que é um hobbit? Hehehe) que vivia calmamente em sua toca na Colina. Vivia. Tudo muda quando Gandalf, um mago, aparece na toca do pequeno hobbit convidando-o para uma aventura. Por serem seres que repudiam e evitam ao máximo aventuras, Bilbo desconsidera o convite. No outro dia aparecem então 13 anões na toca de Bilbo, juntamente com Gandalf, que aparece depois, explicando a finalidade da aventura: irem até a Montanha Solitária onde vive Smaug, O Terrível reconquistarem todas as riquezas roubadas pelo dragão.

Passando por diversas aventuras e perigos durante a longa viagem até a Montanha Solitária, em um momento Bilbo acaba encontrando o Gollum, sendo um dos melhores - e mais engraçados - momentos de todo o livro, com direito até a charadas rimadas (rimou!). Tendo os Trolls como principais vilões (confesso que li o livro esperando que as criaturas de Tolkien fosse basante fantasiosas; pelo contrário, elas se aproximam muito da aparência/físicos humanos, mudando apenas por uma ou outra característica física), Bilbo, Thorin Escudo de Carvalho e sua compania e Gandalf passam por diversas aventuras.

Confesso que me decepcionei bastante com o papel de Smaug no livro, eu esperava que grande parte do livro girasse em torno dele (afinal, ele é o grande inimigo da história, ele que detém o tesouro dos anões) mas seu papel não passa de poucas páginas no final. Apesar disse, Bilbo e seus amigos passam por muitas outras aventuras que eu não esperava, além do ápice do livro no final. Por fim, O Hobbit leva quatro bowties, justamente pelo motivo citado mais acima.



E você? Concorda ou discorda da resenha? Deixe sua opinião nos comentários! Abraços e até depois! :P

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

[Resenha] Todo Dia (David Levithan)


Título: Everyday
Autor: David Levithan
Qtde. de Páginas: 280
Editora: Galera
A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.


Quando li o título do livro, vi a capa e o nome do autor, já o peguei na prateleira e levei ao caixa. Sim, Todo Dia, do David Levithan, causou isso em mim. Conheci o autor por meio do livro Will&Will e, como gostei muito, então resolvi que leria todos os livros que fossem lançados no Brasil. Agora, deixando a enrolação de lado, vamos à resenha.
                                             
Todo Dia narra a história de A, um ser que todo dia, ao acordar, se encontra em um corpo diferente. E A é assim desde que se lembra, nem mesmo sabe o motivo que leva isso a acontecer. A é como se fosse um inquilino em um corpo, por apenas um dia. Quando A sai do corpo da pessoa, ela se lembra apenas do roteiro que A planeja – quer dizer, a maioria é assim.

Estou repetindo muito “A” porque a personagem (e aqui não estou dizendo que é “ela”, mas usei o “a” porque o artigo definido para “personagem” é feminino) não tem um sexo definido. É uma pessoa que é como ela acorda no dia. Homem, mulher, gordo, magro, negro, branco, asiático, índio, gay, lésbica, bissexual, travesti, ateu, mulçumano, cristão, doente mental, suicida... Enfim, é diferente tanto no gênero quanto na personalidade. A tem a habilidade de “acessar” a mente do(a) hospedeiro(a) para ter informações sobre a vida dele(a). Um fato interessante é que A só acorda no corpo de uma pessoa que está na mesma faixa etária que a sua e é assim desde quando era bebê.

Então, a vida da personagem é diferente por causa desse fenômeno, mas por já acontecer isso há anos, é uma rotina para A. E o que muda tudo é que, certo dia, A se encontra com uma garota e se apaixona por ela. É aí que o livro começar a ficar mais interessante. A tem uns pensamentos de não se meter na vida pessoal da pessoa em que está habitando e não fazer coisa alguma que vá prejudicar a vida da mesma, mas isso começa a mudar quando ele encontra Rhiannon (e A a conhece porque desperta no corpo do namorado da moça, Justin).

Enfim... A acaba conquistando Rhiannon e explicando pra ela a situação em que vive. Daí pra frente, começa a tensão. A, às vezes, acorda no corpo de uma pessoa em uma cidade vizinha da de Rhiannon a algumas horas distantes. Eles começam a planejar encontros e a realizá-los. Às vezes A está no corpo de uma menina, o que a princípio gera desconforto em Rhiannon, mas logo ela começa a aprender a amar quem A é e não o que ele aparenta ser (o que, a meu ver, é uma das mensagens que o autor quis passar ao escrever o livro). Eles encontram certas dificuldades para manter o relacionamento.

No meio dessa história amorosa, há outras coisas acontecendo. Como um garoto que foi hospedeiro de A que afirma ter sido possesso pelo demônio e coisas do tipo. Esse garoto desencadeia uma serie de acontecimentos que possibilita o encontro de A com um ser semelhante a ele.

Aí não vou mais contar sobre a história pra não dar spoiler (o que falei da história acima, basicamente está na sinopse do livro).

Todo Dia, para mim, é um daqueles livros que desfaz e refaz os seus conceitos/pensamentos/crenças. Acredito que a mensagem que Levithan quis passar é que não importa o quê você é, e, sim, QUEM você é. Suas características físicas perdem importância quando comparadas às suas características sentimentais e ao seu caráter. A e Rhiannon me ensinaram que devemos amar não o que a pessoa é ou o que ela pode oferecer, mas devemos amar e aceitar quem elas são.

Independente de raça, religião, classe social, orientação sexual, estatura física... Independente de tudo isso, somos pessoas. E, como toda pessoa, temos amor dentro de nós – que deve ser compartilhado e distribuído.

Algumas pessoas dizem que Levithan poderia ter aprofundado mais na natureza de A, deveria ter explicado o porquê de acordar todo dia em um corpo diferente ou que o livro deveria ter continuação. Mas acredito que isso não é preciso, porque A é assim, sempre foi assim e sempre será assim. Porque a mensagem que o autor quer passar é bem clara e quando se entende o sentido desta, a natureza de A pode ser deixada de lado.

PS: Quem sabe ler inglês, não perca a chance de ler o livro no idioma original. É bem melhor, porque no inglês os substantivos e adjetivos não têm diferença para os gêneros masculinos e femininos. A Galera Record, ao traduzir o livro, fez o A pra ser “ele”. Acredito que a editora poderia ter deixado “ele” quando A estivesse em corpo de homem e “ela” quando A estivesse em corpo de mulher. Mas enfim... Super recomendo o livro.
  
Sem mais delongas, eis a avaliação: Todo Dia, de David Levithan, De 0 a 5, leva 5 bowties (muito merecidas). 
Mais um livro que entrou para a minha lista de favoritos. E, para matar a saudade, aí vai uma das inúmeras quotes que eu marquei: 

“O som das palavras quando são ditas é sempre diferente do som que fazem ao serem ouvidas, porque o falante ouve parte do som do lado de dentro.” 

E você? Leu? Pretende ler? Gostou? Deixe seu comentário contando sua experiência ao ler o livro! Abraços. :D

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[Resenha] Maze Runner, Correr ou Morrer - James Dashner

Título: Maze Runner.
Autor: James Smith Dashner.
Número de páginas: 384*/426.
Editora: Delacorte Press*/Vergara & Riba.
Onde comprar: Submarino || Ponto Frio || Americanas

"Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho.



Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar - chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo.

Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito. "


Há tempos ouço pessoas falarem sobre esse livro, o quanto era bom e etc. Erroneamente, sempre imaginei que o livro era uma novelização de Blade Runner, e me perguntava porquê tantos comentários espantosos sobre o livro. Depois de ler a sinopse (e descobrir que a única semelhança com Blade Runner é o "Runner" no nome), fiquei realmente interessado na história, e com a sugestão de uma amiga (valeu Mari) fui ler o livro.

Thomas é um garoto que acorda dentro de um elevador sem nenhuma lembrança de sua vida. A única coisa que se lembra é seu nome. Ao ser retirado de lá ele encontra-se em um lugar conhecido por meus "moradores" como Glade (Clareira), um enorme espaço circular cercado por enormes muros de pedras.

Logo de início descobrimos que a clareira é cercada por um enorme labirinto ao qual os gladers (clareanos) buscam sair há mais de dois anos. E qual o perigo disso tudo, você deve estar se perguntando. Fome? Não. Desorganização? Não. Nada de pais? (Isso não é outro livro? No mais não vem ao caso) Monstros sanguinários híbridos? Sim! Durante a noite as paredes localizadas na clareira são fechadas, e enormes monstros mecanizados, os Grievers (Verdugos) aparecem no labirinto.

Ok, tudo então ia bem, todos os dias os Runners (corredores) saíam para o labirinto, os Slashers ("açougueiros") cuidavam dos animais, os Med-jacks (médicos) cuidavam dos que porventura se feriam... e assim por diante; até aparecer uma garota. Mas o que isso tem de mais?, você se pergunta. Em mais de dois anos nunca teve uma garota. Nunca. E é então que o livro fica inlargável (isso existe?).

Algo que me surpreendeu bastante no livro foi o quanto a "sociedade" dos gladers é bem estruturada. Todos vivem em completa harmonia, tudo funciona corretamente, parece até uma sociedade utópica composta por garotos. Eles têm um conselho, os responsáveis pela limpeza, pelo cultivo de alimentos, cuidados dos animais, cozinheiros... Enfim, uma sociedade muito bem estruturada e quase sem conflitos. Bem diferente de Gone, outra distopia bastante semelhante.

Muitas cenas de ação, muitos momentos mindblow, pitadas de ficção científica misturadas à distopia, ações inesperadas, e o melhor: não tem romance meloso! Na verdade, o romance (se é que aquilo pode vir ser um romance) é bem implícito e não interfere em absolutamente nada durante a história. The Maze Runner fica com 5 bowties e com certeza entrou pra minha lista de livros favoritos.

E você? Já leu esse estupendo livro? Não? Porque? Deixe sua opinião nos comentários! Abraços e até mai ver! :D

*Eu li o livro em inglês, por isso o grande número de referências ao nomes originais, a capa da edição norte-americana e os outros itens em "editora" e "número de páginas". Os livros que estiverem com essas indicações foram os que li em outro idioma. Fazendo um adendo, busco sempre colocar a capa da edição a qual li.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

[Resenha] O Exorcista - William Peter Blatty

Título Original: The Exorcist - 40th Anniversary Edition.
Autor: William Peter Blatty.
Número de páginas: 336.
Editora: Agir.
Onde comprar: Saraiva || Cultura

"Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz."


Um dia meu professor de filosofia me perguntou se eu já havia lido O Exorcista e, se não, que lesse o mais rápido possível. Um livro em qual o medo chegaria pouco a pouco, até que no final você não conseguiria saber se terminava o livro ou se o jogava fora, segundo ele. Já sabendo da reputação do filme como um dos filmes mais assustadores de todos os tempos - pelo menos segundo os que conheço e que assistiram o filme - e com essa dica, fui com a cara e a coragem e comecei a ler esse livro.

O livro começa com um prólogo bastante estranho relatando as escavações de um padre no norte do Iraque até o ponto onde ele encontra uma estátua de um demônio, Pazuzu, o qual ele havia "lutado" tempos atrás durante um exorcismo na África. Sem avisos, somo então transportados ao Estados Unidos, provavelmente algum tempo depois dessa escavação relatada no prólogo, especificamente ao lar de Chris McNeil, uma famosa atriz em ascensão. A filha de Chris, Regan, começa então a vivenciar alguns acontecimentos estranhos, desde barulhos noturnos até a movimentação de sua cama.

A partir de então a vida de Chris se torna um inferno. Pedindo ajuda a todos os psiquiatras e psicólogos ao seu alcance, e nenhum conseguindo resolver o problema de sua filha, Chris por fim cede a seus "tabus" e chama um padre, Damien Karras, para praticar um exorcismo em sua filha, a qual passa a demonstrar força extrema, atos muito, muito indecentes e a se tornar extremamente sem educação.

Confesso que esperava mais do livro. Apesar de toda a tensão do livro (que realmente se espalha aos poucos, deixando-o mais e mais instigado a saber o que diabos está acontecendo com Regan), não senti nenhuma pontada de medo. Pelo contrário, acabei achando graça em algumas partes (não tão hilárias assim, como a cena em que Regan se masturba com um crucifixo ou na qual ela desce pelas escadas se contorcendo - cenas clássicas do filme). Mas mesmo assim, o livro possui uma história completamente intrigante, com direito a algumas histórias paralelas e até assassinatos (mas nada no estilo Agatha Christie de ser). Por fim, O Exorcista fica com quatro bowties.


"Deus nunca fala. Mas o Diabo continua fazendo propaganda, padre. O Diabo faz um monte de comerciais." 


E você? Já leu o livro? Assistiu o filme? Deixe sua opinião nos comentários! Abraços e até! :D

domingo, 13 de outubro de 2013

[Resenha] É o Primeiro Dia de Aula... Sempre! (R. L. Stine)

Título: It's the First Day of School... Forever!
Autor: Robert Lawrence Stine.
Número de páginas: 168.
Editora: Seguinte.
Onde Comprar: Saraiva || Fnac || Americanas

"Então, no café da manhã, seu irmão mais novo, Eddy, derruba a calda da panqueca no cabelo de Artie, que não tem tempo de lavá-lo. “Você não vai querer se atrasar no primeiro dia de aula na escola nova”, lembra a mãe dele. 

Artie tem que ir então para a aula com o cabelo todo grudento. No caminho, uma caminhão passa por uma poça d’água e espirra toda a água nele. Suas roupas ficam molhadas e até parece que ele fez xixi nas calças. Não é só o primeiro dia de aula — é o pior primeiro dia de aula da história.
Na manhã do dia seguinte, Artie cai da cama e bate a cabeça. Bem forte. Depois disso, ele fica se sentindo um pouco tonto, mas deve ser só a confusão de começar em uma escola nova, claro! Então, no café da manhã, seu irmão mais novo, Eddy, derruba a calda da panqueca no cabelo dele e...
Hã??? Tudo está acontecendo exatamente da mesma maneira que no dia anterior! O primeiro dia de aula se repete no dia seguinte, e no dia seguinte, e no dia seguinte... Será que Artie vai conseguir encontrar um jeito de mudar isso? Ou será o primeiro dia de aula… SEMPRE?"

Resolvi começar esse livro porque queria algo mais... "leve" pra ler por causa de Looking for Alaska (em breve resenha), e esse foi o primeiro que encontrei que era mais fininho e com uma história mais relax. Então, a história gira em torno de Artie, um garoto em seu primeiro dia de aula no sexto ano de uma escola nova. Nada a temer, certo? Errado. Calda de chocolate no cabelo, água na calça, briga com o cara "valentão-porém-inteligente-e-muito-popular-que-todos-amam-e-adoram"... Sem mencionar o diretor um tanto que... doido. Tudo isso para deixar o dia de Artie pior (e a leitura melhor. Ou não).

Com personagens extremamente inconstantes e bipolares (a exemplo do diretor, onde de início é uma pessoa totalmente simpática e sorridente, e pouco depois se revela sendo maldoso e até um pouco sádico), muito mal explorados e totalmente sem empatia (pelo menos não senti empatia por nenhum, nem mesmo Artie). Clichês pairam sobre a história como uma enorme nevem negra, desde o irmãozinho irritante até o valentão metido e sua "trupe", empobrecendo a história em um nível não tão bom assim. Mas vamos relevar um pouco, afinal é um livro infantil, destinado a um público de até 12 anos, creio que meu irmão iria perfeitamente adorar o livro.

Quando ao final, achei satisfatório. Todas as teorias malucas que criei nenhuma se aplicou a história (não que isso seja ruim), mas o final ficou bastante implícito durante a história, e achei uma boa... reviravolta, por assim dizer.

Um pequeno adendo: Me interessei pelo livro principalmente pela capa, achei bastante chamativa, acho que ficou melhor até que a original (vocês podem vê-la clicando aqui), que possui um ar bem ao estilo "Goosebumps" (uma série de livros do autor).

Por fim, o livro leva 2 bowties. Mais pelo final que achei bem interessante do que pela história em si. (Desculpas, mas minha sonic screwdriver não conseguiu encontrar nenhum quote relevante para ser colocado aqui, acho que vou ter que dar uma olhada para ver se ela não está com problema.... ou não)




E então, você já leu o livro? E o que achou, gostou? Odiou? Dê sua opinião nos comentários! Abraços e até a próxima! c:

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

[Resenha] O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger)

Título: The Catcher in the Rye.
Autor: Jerome David Salinger.
Número de páginas: 208.
Editora: Editora do Autor.

"Um garoto americano de 16 anos relata com suas próprias palavras as experiências que ele atravessa durante os tempos de escola e depois revela o que se passa em sua cabeça. O que será que um adolescente pensa sobre seus pais, professores e amigos?"


A primeira vez que vi esse livro já torci o nariz. "Deve ser mais um daqueles livros extremamente chatos e insuportáveis", pensei. Anos depois uma amiga minha me chamou no chat me sugerindo ler ele, falando que era muito bom e que eu tinha que lê-lo (Btw, valeu Milena \õ/). Mesmo sem saber do que se tratava, só com a sugestão dessa amiga minha, fui na fé, arrumei um ebook e comecei a minha leitura.

E foi então que me surpreendi. O livro narra a história de Holden Caulfield, um jovem um tanto quanto depressivo e um pouco problemático até. E digo apenas que logo de cara já simpatizei com ele. Pois bem, Holden é expulso da escola (e não foi a primeira vez), e então resolve "fugir" antes do começo das férias para vagar em Nova Iorque até o dia "certo" de voltar para casa.

Durante os eventos ocorridos percebemos o quanto Holden é impulsivo e o quanto despreza a hipocrisia e falsidade - sendo essa a principal causa por tantas expulsões, segundo ele - chegando a mentir e a demonstrar grande asco por essas pessoas. Outra característica que Caulfield ressalta é a insensibilidade da sociedade, onde se preocupam apenas em saber o quão sangrento e mórbido é um acidente, mas não se preocupando em oferecer ajuda. Outro ponto extremamente marcante  é a conversa que Caulfield tem com um antigo professor que o abriga durante a noite. Antolini o aconselha a deixar a nobreza de lado por uns momentos e valorizar mais a humildade, falando para ele valorizar mais os estudos e que ele não terá uma "vida boa" para sempre.

Dotado de uma narrativa singular e relexiva, Salinger nos faz pensar mais sobre a vida, principalmente nossa infância onde éramos ingênuos e tão felizes. Durante os três dias que Holden vaga por Nova Iorque, grande parte de suas indagações me fez refletir, e até seus atos, antes tão singulares e simples e depois de uma outra olhada são significantes e expressivos, demonstrando sua tamanha solidão (afinal, ele só queria conversar com alguém! T-T).

Mais conhecido como "o livro que o assassino de John Lennon leu antes de matá-lo" e "o manual de como ser um delinquente juvenil", O Apanhador no Campo de Centeio fica com 5 bowties, e bem merecidas. 




Por fim, deixo-os com um pequeno trecho do livro:

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade."

E então, você já leu o livro? Gostou? Não? Vai lá nos comentários e compartilhe conosco sua opinião!


Abraços, e até a próxima! ;)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

[Resenha] As Violetas de Março (Sarah Jio)


Título: The Violets of March
Autora: Sarah Jio
Qtde. de Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Onde comprar: Fnac ||  Saraiva

Emily Taylor é uma mulher jovem e escritora de sucesso, mas não gosta muito de seu próprio livro. Também tem um casamento que parece ideal, no entanto ele acabará em divórcio.Sentindo que sua vida perdeu o propósito, Emily decide fazer as malas e passar um tempo em Bainbridge — a ilha onde morou quando menina — para tentar se reorganizar.Enquanto busca esquecer o ex-marido e, ao mesmo tempo, arrumar material para um novo — e mais verdadeiro — livro, um antigo colega de escola e o namorado proibido da adolescência tornam-se seus companheiros frequentes. Entretanto, o melhor parceiro de Emily será um diário da década de 1940, encontrado no fundo de uma gaveta.Com o diário em mãos, Emily sentirá o estranhamento e a comoção causados pela leitura de uma biografia misteriosa que envolve antigos habitantes da ilha e que tem muito a ver com sua própria história.Assim como as violetas que desabrocham fora de estação para mostrar que tudo é possível, a vida de Emily Taylor poderá tomar um rumo improvável e cheio de possibilidades.

Eu ganhei As Violetas de Março participando de uma promoção do blog Desventuras em Books. Como é de se esperar da Editora Novo Conceito, não veio apenas o livro, mas um kit: livro, marcador, jarro e sementes de violetas. Simplesmente perfeito. O título chamou muito a minha atenção e a capa também, então eu não tardei em ler.

Comecei a ler o livro pensando que seria mais um romance clichê, mas confesso que fiquei realmente surpreso com o desenvolver da trama. Eu nunca tinha ouvido falar na autora do livro, então eu não sabia se a escrita dela seria boa ou ruim. E aí vai, Sarah Jio escreve de uma maneira fantástica e envolvente que prende totalmente a atenção do leitor.

A história narra uma trajetória da vida de Emily Wilson, uma escritora bastante conhecia - pode-se dizer de sucesso - que está passando pelo divórcio do seu casamento. Além disso, Emily está com bloqueio de escrita e não consegue mais escrever nenhum livro. Procuro um refúgio e um escape, Emily decide passar um mês Bainbridge - pequena cidade no estado de Washington - onde costumava ficar nas férias quando mais jovem.

Emily fica hospedada na casa de sua tia Bee uma senhora carismáticas, agradável e misteriosa. No quarto em que Emy fica hospedada, ela encontra um diário de 1940 dentro da gaveta de um criado mudo (agora sempre que encontro um criado mudo, checo o que tem nas gavetas) e esse simples “livro” muda a vida de Emily de uma forma bastante interessante. O diário conta a história de Esther e os sentimentos que ela tem carregado: os medos, os desejos, as aflições, as mágoas... E tudo isso relacionado ao amor verdadeiro, sob a perspectiva de Esther. 

Enquanto tenta desvendar os mistérios da vida de Esther, Emy encontra Jack, um homem que abala as estruturas dela. Emily não pode imaginar, mas ela e Jack estão ligados e interligados de uma maneira fantástica.

Quanto mais eu lia o livro, mais eu queria ler. Simplesmente não conseguia parar. Sim, gostei muito da história de Emy, mas a de Esther que me fascinava e me deixava mais curioso. Sarah Jio consegue interligar todos os fatos, o que torna o livro mais especial. A autora aborda o amor no livro, como tem influência sobre a vida das pessoas. Sarah mostra que as pessoas podem ser cegadas pelo amor e por isso fazem coisas que machucam as pessoas que estão em volta. E isso entra em outro tema que é o perdão, como é difícil e necessário perdoar quem nos magoou profundamente e como é difícil cicatrizar as feridas emocionais causadas por nossos entes queridos. O final do livro é simplesmente perfeito.

Com o desenvolver da trama, você percebe que o título tem tudo a ver com a história. Assim como as violetas desabrocham fora da estação, tudo pode acontecer nas nossas vidas e é quando menos esperamos que as mudanças e os acontecimentos aparecem.

A leitura de As Violetas de Março é muito gostosa, rápida e marcante. Não têm muitos quotes como os romances de Nicholas Sparks, mas, mesmo assim, sublinhei sete quotes que me tocaram. Mais que indico o livro. Tornou-se um dos meus favoritos. Sou eternamente grato ao blog Desventuras em Books e à Editora Novo Conceito por terem me proporcionado essa leitura.

Sem mais delongas, eis a nota do livro. De 0 a 5, sem sombra de dúvida, As Violetas de Março mais que merece as 5 bowties.

E, para fechar com chave de outro, a quote que mais gostei:

"Deixo-lhe um pensamento, um pensamento sobre o amor que me levou a passar por muitos fracassos: o grande amor perdura ao tempo, à mágoa e a distância. E mesmo quando tudo parece perdido, o verdadeiro amor vive. Sei disso agora, e espero que você também."

E aí? Já leu? Gostou? Pretende ler? Não esqueça de deixar o seu comentário! Abraços! :D

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[Resenha] Feita de Fumaça e Osso (Laini Taylor)



Título: Daughter of Smoke and Bone
Autora: Laini Taylor
Qtde. de Páginas: 384
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Saraiva - $ 9,90
Dica: Na Saraiva pode pedir para o produto ser entregue na loja da sua cidade, assim, não há cobrança de frete.

Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu. Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo. O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho. Um romance moderno e arrebatador, em que batalhas épicas e um amor proibido unem-se na esperança de um mundo refeito.

 Para alegria ou tristeza dos leitores, essa é uma daquelas sinopses bem enigmáticas que revelam muito pouco sobre a história geral, porém gera uma grande curiosidade sobre o assunto. Feita de Fumaça e Osso é o primeiro volume de uma triologia, escrito por Laini Taylor.

Eu já tinha avistado esse livro algumas vezes, mas ainda não havia tido a oportunidade de lê-lo. Até que, finalmente, um amigo meu leu e me emprestou. Fiquei super animado pra ler o livro e lembro-me das palavras do meu amigo: “você lerá o livro em uma sentada”. Mas, bem, não foi exatamente o que aconteceu. Não por causa do livro, mas por causa do bloqueio de leitura que tive. Porém, assim que o bloqueio passou, eu li as outras 300 páginas do livro em menos de um dia.

Feita de Fumaça e Osso nos apresenta a história de Karou, uma adolescente de 17 anos que vive em Praga (sinistro, hein?!). A vida de Karou é um mistério não só para os leitores, mas, principalmente, pra ela. A garota possui, como diz a sinopse, cabelos azuis e isso já a deixa muita interessante. Como assim cabelos que nascem da cor azul? Pois é, não falarei, a história explicará tudo!

Karou tem como família 5 seres que, fisicamente, são uma mistura de humanos e animais (às vezes, mais de um animal) e esses seres são chamados de quimeras (em outras mitologias poderiam ser chamados de demônios). Mas não são a família delas de verdade, como já foi dito, pouco se sabe de onde Karou veio. Mas isso também terá explicações.

A garota é estudante de artes e tem uma melhor amiga chamada Zuzana. Karou tem pouquíssimo contato com outras pessoas porque, apesar de parecer normal (se é que ter cabelos azuis e estranhas tatuagens parece normal), ela leva uma vida dupla. Além de Zuzana, Karou tem contato apenas com o seu ex-namorado Kazimir “Kaz”, com os negociantes de dentes e com algumas pessoas das aulas de artes (isso falando de humanos, claro).

Quando não está estudando, a - como é conhecida - Filha do Mercador de Desejos sai em “missões” para buscar dentes (ela não sabe qual é a serventia dos dentes, mas depois terá explicações) e levá-los até o Brimstone (o quimera chefe da “família” dela). A garota se desloca através de portais que estão espalhados pelo mundo todo, então em um momento ela está em Praga e no minuto seguinte pode estar em Marrocos.

Desejos são as recompensas de Karou (e dos negociantes) por levar os dentes até Brimstone. E esses desejos possuem uma divisão de simples coisas a grandes coisas (como imortalidade). Isso depende da mercadoria. Se o negociante arranja bons dentes, a recompensa é boa e por aí vai.

Enquanto Karou realiza as tarefas/missões, ela começa a notar que os portais estão sendo marcados. Uma mancha em forma de mão está sendo marcada nesses portais, como se tivessem sido gravadas com fogo. A garota em certo momento do livro precisa visitar um dos fornecedores de dentes antes da data prevista e é surpreendida por olhos flamejantes. Ualá! E é aí que toda a aventura começa. Não posso mais falar nada sobre de quem são esses olhos porque seria spoiler e eu prefiro deixar vocês na curiosidade.

Então, Laini Taylor conseguiu fazer um ótimo trabalho, porque o tema da história é bem original. Bom, pelo menos eu nunca li nada do tipo antes. É uma mitologia um pouco diferente e a autora conseguiu explorar bem. Como esse ainda é o primeiro volume da saga, acredito que haverá mais detalhes no decorrer das narrações que virão.

Essa resenha está bem simples, então leiam para saber o quanto o livro é fantástico! E sem falar que a sinopse não conta nem um quarto do que é a história. A autora explica tudo - às vezes um capítulo tem continuação no outro lá da frente, o que deixa a gente com mais vontade de ler e mais ansiedade - sem deixar nenhuma ponta solta.

É um romance, sim, mas tem os momentos de ação e aventura. Uma vez que você começa a entrar na história, não quer parar de ler até terminar o livro. E, asseguro-lhes: em cada páginas virara há uma nova surpresa.

No mais, é isso. Parabéns a Editora Intrínseca que fez um ótimo trabalho com a edição e revisão. Se você gosta de romance, fantasia, aventura e ação, esse é um livro que você NÃO PODE deixar de ler. Taylor realmente consegue prender a atenção do leitor e é ótima com as palavras.

Sem mais delongas, de 0 a 5, Feita de Fumaça e Osso leva 5 bowties. Super indico!


E, pra não perder o costume, deixo uma quote do livro:

“A esperança pode ser uma força poderosa. Talvez não haja magia real nele, mas, quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica.”

E você? Já leu? Gostou? Pretende ler? Não esqueça de deixar o seu comentário! Abraços! :D

sábado, 14 de setembro de 2013

[Resenha] Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas (Raphael Draccon)

Título: Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas.
Autor: Raphael Draccon.
Editora: Leya.
Número de páginas: 440.

"Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas.

Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer... Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real.
E mudará o mundo. "

Já fazia vários meses que havia comprado os três livros de Os Dragões de Éter e que eles estavam lá, na minha estante, pedindo para serem lidos a cada vez eu eu olhava para eles. Resolvi então pegar o primeiro e foi então que me surpreendi.

A história gira em torno de um universo onde o mundo é regido por avatares de um Semi-deus Criador (não, não são aqueles semideuses de Percy Jackson). Esses avatares recebem o nome de fadas, criaturas puras que se manifestam em nossa realidade para testar ou observar algumas pessoas. Quando um avatar (ou fada) acaba por se rebelar contra a Criação, ela se torna um ser corrompido, as bruxas.

Anos antes da história em si começar, houve a Caçada, onde o Rei (com "R" maiúsculo) Primo Branford decretou que todas as bruxas deveriam ser caçadas e mortas. E 20 anos depois, esse reinado de paz pós Caçada é abalado por eventos um tanto quanto estranhos: uma garota vê a morte em sua frente, dois garotos são quase mortos e um perigo já esquecido retorna.

Draccon nos recebe com uma narrativa um tanto quanto diferente, a impressão é de que alguém está contando uma história para você, semelhante a uma mãe contando história para uma criança antes de dormir. Inicialmente a história brilha em seus momentos de criação de conceitos e no aprofundamento de personagens que conhecíamos tão vagamente.

E então subitamente ela cai. Pelo menos para mim. Diálogos maçantes, passagens forçadas, tudo é jogado contra nós em momentos um tanto quanto artificiais onde o "mimimi" reina. Por horas eu tentava progredir na leitura, porém a história apenas regredia. E então, quando menos se espera, BUM! O ritmo acelera (confesso que isso aconteceu só lá para o meio do livro) e a história anda. Na verdade ela corre, até. 

Apesar das baixas, o livro se mostrou por fim uma história brilhante. Salvo alguns momentos um tanto quanto sem noção, a ela se mostrou bastante original, inovando em questões de estética e mitologia. Por fim, recomendo o livro, mas peço um pouco de paciência no início e quanto a falta de "reviravoltas" mirabolantes que sempre deixam uma história com um "quê" a mais.

Por conta de alguns momentos que me irritaram bastante e pela história que se mostra inicialmente maçante, o livro levará apenas 3 bowties, porém afirmo que estou bastante ansioso para poder ler a continuação da série.



E então, você também já leu o livro? Gostou ou não? Mostre-nos a sua opinião nos comentários! Vai lá!

Abraços e Allons-y!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

[Resenha] O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman)


Título: The ocean at the end of the lane
Autor: Neil Gaiman
Qtde. de Páginas: 208
Editora: Intrínseca
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.


Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Escolhi O Oceano no Fim do Caminho para a minha primeira resenha do blog porque este é um dos melhores livros que já li. Além do nome do autor (Neil Gaiman) que é bastante conhecido e amado pelos leitores, o que me fez comprar o livro foi a capa e o título. Essa arte da capa ficou simplesmente perfeita e o título, depois que se termina de ler, percebe que não é só chamativo como também faz total jus à história. Este é um daqueles raros livros que não se tem muito que falar. Só mesmo lendo pra entender e sentir o que o autor quer passar.

Comecei a ler o livro pensando que se tratava apenas de um romance adulto e em momento algum me ocorreu de que teria fantasia envolvida - mesmo eu tendo conhecimento de que o Neil Gaiman é conhecido pelas histórias de mitos e fantasia. Mas, de fato, a princípio tudo é normal e tranquilo. Posteriormente a trama começar a se desenrolar e as coisas “sobrenaturais” começam a acontecer e é a partir desse momento que o livro prende a atenção do leitor até a última página.

A história retrata a vida de George (esse nome só é citado uma vez no livro inteiro) - um homem de meia-idade - que, ao retornar ao local onde viveu a maior parte da infância, confronta-se com suas lembranças e memórias que até então estavam “perdidas”. Ele volta a este local (Sussex, se não me engano) meio que procurando um refúgio emocional ou algo do tipo, visto que estava “fugindo” de um velório (não deve ser importante porque nem lembro se citou de quem é o velório). E a narrativa é sobre a vida desse homem quando tinha apenas sete anos de idade.

Como diz na sinopse, os pais do garoto precisam alugar o quarto dele e um minerador de Opala aparece para ser o inquilino. E é por causa desse minerador que as coisas fantásticas começam a acontecer, a partir do momento que ele comete suicídio - veja bem - dentro do carro da família do garoto. E próximo ao local onde o carro é encontrado, no fim da rua, há a fazendo Hempstock que é habitada por três mulheres (Lettie Hempstock, a jovem senhora Hempstock e a velha senhora Hempstock). George acompanha Lettie até a fazenda e lá as mulheres começam a falar sobre o que aconteceu ao minerador, afirmando os fatos. Nesse momento comecei a pensar que eram apenas hipóteses, mas ao decorrer do livro você percebe que essas três mulheres são muito misteriosas e enigmáticas. É nessa mesma fazenda que se encontra o Oceano, ou lago ou tanto faz, ele tem o tamanho que é preciso ter.

Depois de conhecer as mulheres Hempstock, as fantasias começam a acontecer na vida do garoto. Chega a certo ponto da narrativa que o Gaiman escreve de uma forma tão maravilhosa que faz você sentir exatamente o que está acontecendo, como se você fosse tão indefeso quanto o garotinho de sete anos. Em alguns momentos cheguei a pensar que tudo não passava da imaginação do garoto, pensei que em algum momento ele acordaria de um sonho/pesadelo e que tudo seria apenas pensamentos. Mas não é bem assim, pelo contrário, tudo é muito real.

Como eu disse, só lendo pra realmente saber do que se trata a história. Apesar de ser um romance adulto, a escrita é bem simples e fácil de ser acompanhada. Creio que o desafio do livro esteja em entender o significado e o sentido das metáforas utilizadas por Gaiman. A meu ver, a moral da narrativa é: crianças estão mais atentas aos detalhes e enxergam melhor o que está em volta do que os adultos que se julgam sábios e velhos demais pra acreditar no que não é claramente visível e por isso acabam negando o que os é desconhecido.

Para finalizar a resenha, deixo uma quote encontrada por minha Sonic Screwdriver dentre as várias quotes que eu grifei. “As memórias de infância às vezes são encobertas e obscurecidas pelo que vem depois, como brinquedos antigos esquecidos no fundo do armário abarrotado de um adulto, mas nunca se perdem por completo.”

Enfim, adorei o livro. Eu terminei de ler durante a madrugada e depois fiquei vários minutos relembrando acontecimentos da minha infância e pensando na história de O Oceano. Porque é um daqueles livros que tira o significado da vida, do universo e de tudo mais. De 0 a 5, a nota, sem sombra de dúvida, é 5 bowties.
E você? Já leu? Pretende ler? Conte-nos sua experiência de quando mergulhou no Oceano. Deixe seu comentário! Abraços. :D